Universitários engrossam pedidos de apoio social

NUNO MIGUEL ROPIO

Maiores universidades com mais candidatos a bolsas de estudo devido à crise económica.

O processo para a atribuição de bolsas da Acção Social no Ensino Superior, este ano lectivo, ainda não se concluiu, mas nas grandes universidades públicas aumentou o número de alunos que pretendem usufruir de tal apoio.

Só na Universidade de Lisboa estima-se que, no ano lectivo de 2009/2010, venha a ocorrer um aumento de cerca de 11%, quando em comparação com 2008/2009. Se no ano passado os bolseiros cifraram-se em 3053, com uma bolsa média de 194 euros mensais, este ano, ainda sem resultados finais, o número pode disparar para os 3400 e o valor mensal crescer 12%, fixando-se nos 218 euros.

“As universidades não são um mundo à parte. A realidade social e económica reflecte-se na vida dos estudantes e leva os mais carenciados a procurarem ajuda e a tentar obter bolsas”, explicou, ao JN, Luís Fernandes, administrador dos Serviços de Acção Social da Universidade de Lisboa (SASUL). Tal cenário reflecte-se no montante final: de 5,9 milhões de euros, em 2008, para 7,5 milhões. Mais de 27% de aumento.

Tanto quanto aos pedidos de apoio como na atribuição de bolsas, a Universidade do Porto (UP) também não foge à regra. Segundo o porta-voz da instituição, Pedro Rocha, a subida na UP tem sido uma constante “nos últimos anos”. “Em 2008, tivemos cerca de seis mil candidatos e atribuímos cerca de 4800 bolsas de estudo. Este ano, o processo de atribuição ainda não está concluído mas já constatámos que existiu um aumento de candidatos às bolsas, por isso é provável que o número de bolsas ultrapasse os 5 mil estudantes”, disse.

Dados do Ministério do Ensino Superior, somente relativos ao ano de 2008, apontam para um universo de 73.500 bolseiros de Acção Social, no Ensino Superior público e privado, que não tem parado de aumentar. Daí que, a maioria das instituições tenha criado programas específicos e complementares de apoio [ler caixa ao lado], com verbas oriundas de receitas próprias ou de doações privadas.

“Quando se reforça o apoio que já está a ser dado ou se ajuda um aluno que nem sequer está abrangido pela bolsa, não se está a dar nada a que o aluno não tenha direito”, frisou Amadeu Cardoso, responsável pela Acção Social da Universidade do Algarve, onde se registaram mais 100 candidaturas de alunos do 2º ao 5º ano. “Há uma pobreza envergonhada dentro do país, que a crise económica veio acentuar. Apesar de limitadas financeiramente, às universidades compete estudar a melhor forma para que os alunos não abandonem os estudos”, acrescentou.

“Em Aveiro temos já 4002 candidatos. Em 2008, tivemos 3001 bolseiros. Mas este aumento deve-se, em parte, ao aumento que tivemos este ano de alunos na universidade”, disse, por outro lado, Hélder Castanheira, administrador da mesma área, mas na Universidade de Aveiro, onde, desde há 10 anos, está em vigor um programa integrado de apoio social, que não se restringe à atribuição de bolsas.

 

  2009-11-09

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