Centenas de bolseiros não recebem há três meses

2009-12-11
GLÓRIA LOPES

Há alunos a viver na miséria e a tentar crédito em bancos para não deixar os estudos.
Cerca de cinco centenas de alunos do Instituto Politécnico de Bragan- ça ainda não receberam bolsas a que têm direito (desde há três meses), porque processo não está concluído. Há casos de miséria e quem pense abandonar estudos.
Nenhum aluno do 1.º ano ou de outros anos, mas candidatos pela primeira vez à bolsa, recebeu ainda o dinheiro porque o processo está atrasado na Direcção-Geral do Ensino Superior, a entidade que, actualmente, paga aos estudantes. As aulas iniciaram-se em Outubro. Há alunos a viver com muitas dificuldades.

O responsável dos serviços de Acção Social do IPB, Osvaldo Régua, garante que, no caso dos estudantes do 1.º ano, a situação “é normal, porque é habitual receberem mais tarde do que os outros, chegando a haver anos em que o dinheiro só é desbloqueado em Fevereiro”.
No caso dos alunos dos 2.º, 3.º e 4.º anos, Osvaldo Régua assegura que “serão “muito poucos” os que não estão a receber a bolsa, pois os que já eram bolseiros em anos anteriores começaram por receber as bolsas equivalentes ao ano de 2008/2009 e que, após a atribuição das bolsas do ano lectivo 2009/2010, foi efectuado um ajustamento da verba actual com retroactivos, mas admite que uma parte considerável dos estudantes não entregou toda a documentação exigida. As candidaturas, este ano, foram feitas exclusivamente via Internet.
No entanto, os alunos têm uma versão diferente. Estudantes contactados pelo JN, garantem que são muitos os que entregaram os documentos a tempo e horas, “alguns estão a receber e outros não e ninguém explica porquê”, contaram alunos da Escola Superior de Comunicação Administração e Turismo, um pólo do IPB em Mirandela. Muitos estão a enfrentar sérias dificuldades para fazerem face às despesas porque estão longe de casa e, muitas vezes, as famílias não têm meios financeiros para suportar os gastos. Um dos jovens que falou ao JN teme que, se o processo não for resolvido rapidamente, seja obrigado a pedir um crédito ao banco para evitar desistir da licenciatura pois já está no 3.º ano. Actualmente, o aluno subsiste com a ajuda do pai, que sobrevive com o subsídio de desemprego, e de um irmão que está a realizar um estágio profissional remunerado.
Os estudantes explicaram que conhecem inúmeros colegas em dificuldades, mas que têm vergonha de o admitir, aliás, como eles, que preferiram falar no anonimato. Os universitários contaram ainda que outros colegas estão a receber a bolsa mínima do ano passado, o equivalente a 10% do valor total das propinas, cerca de 58 euros, “até têm medo de gastar o dinheiro porque não sabem se terão de o devolver quando as bolsas forem atribuídas”.
Os jovens queixam-se, também, de não serem devidamente esclarecidos pelos Serviços de Acção Social: “eles intimidaram as pessoas para não mandarem e-mails ou telefonarem a confirmar, alegando que isso só vai atrasar os processos”, acusam.

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