Clínica do IPC deve abrir-se à comunidade para obter receitas

por Patrícia Isabel Silva

A clínica do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), que funciona no parque desportivo de Bencanta, deverá, em breve, passar a servir também a população em geral e não apenas os estudantes da instituição. «Esta é uma ideia em desenvolvimento que será analisada nos órgãos próprios», adiantou ontem Rui Antunes, explicando que este alargamento será uma forma do IPC gerar receitas próprias e não estar tão dependente das verbas do Orçamento de Estado e das propinas dos alunos.

Reconhecendo as dificuldades que os Serviços de Acção Social do Instituto Politécnico de Coimbra (SASIPC) enfrentam para manter as três residências e as cinco cantinas, o presidente do IPC lembrou que «a questão financeira é o eterno problema» dos serviços, daí que a estratégia deva, cada vez mais, passar pela auto-sustentabilidade, defendeu na tomada de posse do novo administrador dos SASIPC.

Com um orçamento de 870 mil euros, os Serviços de Acção Social necessitariam de, pelo menos, mais 30%. Jorge Pessoa de Oliveira frisou que as limitações de dinheiro obrigam «a repensar muitas coisas», mas uma coisa garante: nem o alojamento, nem as refeições sofrerão aumentos, porque, continuou, o IPC não quer fazer dinheiro «à custa dos estudantes».

O alargamento da clínica à população é, então, estratégia prioritária e envolverá a Escola Superior de Tecnologia da Saúde, cujo director Jorge Conde foi ontem também empossado para um mandato de quatro anos. O objectivo do responsável, adiantou na cerimónia, poderá passar mesmo pela transferência da unidade de saúde para as instalações da escola. A completar 30 anos em 2010, a ESTeS está a entrar numa fase de ampliação, prevendo-se que em 2011 se inicie a construção do terceiro piso do edifício principal, estando nos planos da direcção de Jorge Conde acrescentar dois pisos no edifício Francisco Grade. Resolver os problemas de estacionamento é também uma ambição do professor, que lembrou ainda algumas obras conjuntas da ESTeS e a Escola Superior de Enfermagem, nomeadamente ao nível do refeitório.

Na mesma linha de Rui Antunes e Jorge Pessoa de Oliveira, Jorge Conde destacou a importância das instituições gerarem receitas próprias e só o ano passado, a ESTES, a este nível, conseguiu um aumento de 16%, adiantou. «Hoje temos de pensar, financeiramente, nas instituições de forma diferente», defende.

A Escola Superior de Tecnologia da Saúde foi a primeira das unidades orgânicas do IPC a concluir a reorganização no âmbito do novo enquadramento jurídico do ensino superior. Sem apresentar prazos, Rui Antunes adianta que «em breve» as restantes escolas também concluirão os respectivos processos.

Ao dar posse a Jorge Conde no espaço da escola e não na sede do IPC, como era habitual, o presidente do Instituto Politécnico lembrou que 2010 é um ano «de alguma exigência para com o ensino superior, com uma nova postura de responsabilização das instituições», que não podem, reforçou, viver unicamente do financiamento do Estado. As alternativas passam também por tentar criar uma rede de antigos estudantes do IPC e tirar o máximo partido desse «valor acrescentado».

Atrasos nas bolsas resolvidos
até final de Fevereiro
Os Serviços de Acção Social do Instituto Politécnico de Coimbra esperam ter o processo das bolsas de estudo concluído até finais de Fevereiro. Jorge Pessoa de Oliveira, que ontem tomou posse como administrador dos SASIPC, esclareceu que estão por resolver cerca de 800 candidaturas das mais de quatro mil recebidas até Novembro. Tratam-se maioritariamente de casos de estudantes do 1.º ano, mas não só, explicou, garantindo que todas elas já foram analisadas, encontrando-se pendentes por falta de elementos nos processos, nem todas da parte dos estudantes. Há casos em que os serviços ainda não dispõem de certificados de matrícula ou do comprovativo do aproveitamento que são responsabilidade das unidades orgânicas, adiantou Jorge Pessoa de Oliveira, que estima que, no final, serão cerca de três mil os estudantes a beneficiar de bolsa no presente ano lectivo.

Para minimizar as dificuldades que os alunos do IPC possam estar a atravessar pelo atraso na atribuição das bolsas – que serão pagas pela Direcção Geral do Ensino Superior, que a partir de Maio começa também a receber, directamente, por via electrónica, as candidaturas – os Serviços de Acção Social estão a fornecer refeições e alojamento gratuito, além de apoiar o fornecimento de equipamento escolar. De acordo com Jorge Pessoa de Oliveira, em funções desde Novembro, foram identificados, pelo menos, «30 casos de dificuldades no limite», ou seja, situações em que os estudantes «já não tinham dinheiro para comer e estavam a ser sustentados por colegas».

Relativamente ao ano lectivo anterior, os SASIPC registaram um aumento de cerca de 15% de candidaturas a bolsas de estudo.

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