ASSOCIAÇÃO DE ESTUDANTES DA ESEC SAI POUCO SATISFEITA DO PARLAMENTO

2010-01-27 18:48:51
Catarina Cristão

A Comissão de Educação e Ciência recebeu esta tarde, na Assembleia da República, a direcção da Associação de Estudantes da Escola Superior de Educação de Coimbra, que se deslocou a Lisboa com o propósito de denunciar as condições a que os alunos da escola estão sujeitos: atrasos na atribuição de bolsas e infra-estruturas degradadas. No final, confessaram que esperavam mais.

Eram perto das 14h30 quando os alunos da Escola Superior de Educação, do Instituto Politécnico de Coimbra, entraram no edifício da Assembleia da República, em Lisboa. Vinham apressados e expectantes em relação à reunião com a Comissão de Educação e Ciência, que aceitou recebê-los depois de o caso desta instituição ter sido exposto no Parlamento durante o Debate Quinzenal, no dia 15 de Janeiro, pelo Bloco de Esquerda.

O presidente da Associação de Estudantes, João Morgado, vinha preparado com um documento onde expunha todos os problemas da instituição, desde o atraso na atribuição de bolsas até à degradação das instalações.

“Na nossa Instituição, temos conhecimento de que cerca de 10% dos alunos frequentadores dos Cursos Pós-Laborais e de quatro alunos dos Cursos Diurnos, registados nos Serviços Académicos da ESEC, já abandonaram a nossa Escola”, contabiliza João Morgado.

Segundo o responsável, muito devido ao atraso em relação à atribuição de bolsas, cujos processos de candidatura dos alunos do primeiro ano estão só agora a começar a ser avaliados.

“Num universo de cerca de dois mil alunos da escola, 1187 pediram bolsa. Mas, na maioria dos casos, devido ao actual sistema de atribuição de bolsas, não chegam para cobrir todas as despesas associadas a alojamento, alimentação, propinas e materiais escolares”, denuncia.

Pior, diz, é que, em relação ao Instituto Politécnico de Coimbra, existem, no total, cerca de 8000 a 9000 pedidos de bolsa, “pedidos estes que são analisados por apenas cinco Assistentes Sociais”.

O dinheiro não chega à carteira dos estudantes e o responsável teme que mais casos de desistências se venha a verificar. “Tive conhecimento de pelo menos 30 casos em que a situação financeira é tão má que eles ponderam desistir do Ensino Superior”, garante.

“Relativamente às Residências, aspecto fulcral para os alunos deslocados que não têm como pagar alojamento, existem apenas 300 camas, que há muito estão lotadas, não havendo então uma quantidade que atenda às reais necessidades vividas”, continua.

“Situações económicas desesperantes”

Por outro lado, João Morgado manifesta-se céptico em relação ao aumento das verbas para a Acção Social prometidas pelo Governo. “Sabemos que na nossa instituição, parte dessas verbas não vai ser investida nos alunos e vai servir sim para pagar as despesas em atraso, nomeadamente aos fornecedores da cantina”.

Os deputados presentes na sala mostraram-se surpreendidos com o relatório apresentado pelos estudantes. Manuel Mota, do PS, acrescenta, inclusive, que “se a instituição usar o dinheiro destinado às bolsas no funcionamento da escola, incorre na ilegalidade”.

Por outro lado, refuta que o abandono por parte dos estudantes referidos tenha sido por questões financeiras. “Segundo as informações que recolhi, quem abandonou a instituição foi porque preferiu apostar na vida profissional ou pessoal”, assegura Manuel Mota. Ao que João Morgado volta a frisar que são “situações económicas desesperantes”.

Ratos a passear pelos pavilhões

O deputado José Moura Soeiro, do Bloco de Esquerda, acusou o Governo de “querer lavar as mãos” destes problemas e promete ter em atenção os problemas levantados pelos alunos, entre eles a contínua degradação das instalações.

“Os alunos têm aulas em barracões com poucas condições, onde chove frequentemente. No Inverno são colocados baldes pelos corredores, para enfrentar as infiltrações. Ratos e ratazanas passeiam-se pelo pavilhão de teatro”, queixa-se João Morgados.

“É assustador”, classifica a deputada comunista Rita Rato, que visitou as instalações no início da semana. “Estamos a falar de pólos profundamente degradados. É necessário um reforço de meios financeiros para a sustentabilidade do Ensino Superior”, sustentou no final da reunião.

Pedro Saraiva, deputado pelo PSD, é professor universitário e diz conhecer bem a precariedade a que estão votadas muitas escolas. “Espero que um dia se leve mais a sério estas questões”, reforçando o apoio a outra das queixas dos estudantes: a diferença de valores entre as bolsas atribuídas no meio universitário e politécnico.

A questão da atribuição das bolsas também foi levantada pelo deputado Michael Seufert, que deixa mais um exemplo: “Das mil candidaturas a bolsas de acção social recebidas nos serviços administrativos do ISCTE, apenas 70 processos estão resolvidas”.

No final, João Morgado confessou ao Canal UP que esperava mais da comissão. “Pensei que nos apresentassem soluções mais práticas. Não fiquei muito convencido”.

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