Ficou sem bolsa que lhe permitia manter estudos

00h30m
ALEXANDRA LOPES

A família lutou anos a fio, mas Carla está na iminência de ter de abandonar o curso superior, porque a Universidade do Minho recusou renovar-lhe a bolsa de estudo. As duas irmãs, que estudam Medicina na Universidade do Porto, têm direito a apoio financeiro.

A família, de Famalicão, vive com dificuldades económicas – os pais foram obrigados a encerrar o minimercado e a mãe continua desempregada -, mas, ainda assim, Carla, estudante de Gestão, viu indeferido o pedido de apoio social. O mesmo apoio que teve no ano passado e que lhe permitiu pagar as propinas e suportar as despesas com os estudos. O mesmo apoio que as duas irmãs que frequentam a Universidade do Porto estão a receber. Contactada pelo JN, a Universidade do Minho justifica a decisão com “regras técnicas”, admitindo que estas regras podem diferir consoante as instituições de Ensino Superior.

O indeferimento do pedido de ajuda surge numa altura em que os pais foram obrigados a encerrar o minimercado que era sustento da família. E num ano em que uma das suas irmãs entrou para o curso de Medicina.

Carla tem três irmãos, todos a estudar: um no 10.º ano e duas no curso de Medicina. A mãe está desempregada e o pai trabalha, agora, no ramo dos seguros. “Quando, em Maio, entreguei os papéis para pedir a bolsa de estudo ainda tínhamos o minimercado, mas entretanto os meus pais tiveram de fechá-lo, porque já não dava”, contou a jovem. Carla acrescentou que os pais encerraram a actividade no final do ano passado.

Sem negócio e com mais uma filha a frequentar a universidade, a família tratou de actualizar a informação nos serviços de Acção Social da Universidade do Minho. Contudo, de nada valeu, porque o pedido de bolsa de estudo não foi atendido, mesmo depois da reavaliação do processo.

“Tinha uma bolsa que me dava para pagar as propinas, o alojamento e ainda chegava para as minhas despesas”, diz a estudante, apreensiva com o futuro. Já tem prestações das propinas e mensalidades do alojamento em atraso.

“Não temos hipótese de pagar”, desabafa a mãe, Conceição Salazar, que não tem direito a subsídio de desemprego. Conceição confessa que “ultimamente” não conseguiu pagar a Segurança Social e que tem prestação da casa em atraso, tendo apresentado documentos comprovativos de tudo.

Contactada pelo JN, a Universidade do Minho refere que os cálculos do rendimento da família resultam num valor “de capitação média mensal que excede o limite máximo” para atribuição de bolsa. E acrescenta que a cessação de actividade da sociedade dos pais não “exclui o agregado familiar dos proveitos apurados em sede de IRC/2008”.

Por outro lado, diz que se baseia em “regras técnicas” adoptadas pelas instituições de ensino superior público que aderiram à Plataforma Electrónica de candidatura a bolsas. Admite, contudo, que há instituições de ensino superior público com “regras técnicas diferentes e que podem implicar diferentes resultados de análise”. “Poderá resultar a discrepância de resultados de candidatura a bolsa entre irmãs, situação que continuará a acontecer enquanto não existir um documento com regras de análise únicas a nível nacional”, conclui.

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