Teatro Legislativo: Transformar ficção em leis

Notícia da Lusa. por Paula Lagarto. Lisboa, 25 abr

Ana entrou na universidade mas não sabe como pagar o curso. Decide pedir uma bolsa, enquanto um colega tenta um empréstimo bancário. Os dois são personagens de uma peça de teatro pouco convencional e com duas versões: uma é protagonizada por atores, outra pelo público.

Tudo se passa num palco improvisado na sala de convívio da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que acolhe a primeira peça portuguesa do chamado Teatro Legislativo, um conceito que tem origem no Teatro do Oprimido.

Fundado pelo brasileiro de ascendência portuguesa Augusto Boal, o Teatro do Oprimido entende o teatro como um espaço de interação e discussão de ideias.

“É o teatro no sentido mais arcaico do termo. Todos os seres humanos são atores – porque atuam – e espetadores – porque observam. Somos todos ‘espet-atores’”, sintetiza o coordenador deste projeto do Teatro Legislativo em Portugal, o deputado do Bloco de Esquerda José Soeiro, acrescentando que “o Teatro Legislativo é um passo à frente”.

Nesta peça, a história de Ana é bastante comum, já que a personagem vive os problemas e as situações que os alunos do ensino superior enfrentam. Assim, além de Ana, surge ainda uma professora que garante que a teoria que ensina é suficiente para a vida prática e um funcionário burocrático que dá poucas respostas.

No palco da Faculdade de Ciências, a primeira versão da peça acaba com Ana a não receber a bolsa. Aos aplausos, segue-se o pedido de intervenção da plateia e ouvem-se experiências reais e críticas aos comportamentos das personagens.

“Muitas vezes confrontamo-nos com problemas e a sua resolução pode passar por mudanças nos nossos comportamentos, mas também podemos enfrentar barreiras, que são legais”, afirma José Soeiro para explicar o propósito do também denominado Teatro Fórum.

Por isso, no palco, os atores/alunos são substituídos à vez por um espetador, também estudante, que muda o rumo da história segundo as suas convicções.

Na segunda versão, os espetadores/atores questionam o porquê dos cartões de estudante estarem ligados a bancos, mostram mais solidariedade com os outros, criticam o funcionário burocrático e invadem os serviços sociais até obterem respostas.

“O que o teatro legislativo faz é envolver as pessoas para que sugiram o que na lei poderia mudar para que a história fosse diferente”, diz o deputado, acrescentando que neste projeto, denominado “Estudantes por empréstimo”, se recolhem contribuições escritas da plateia.

“As sugestões que são dadas serão depois transformadas em iniciativas legislativas, algumas já o foram, e serão discutidas numa sessão final na Assembleia da República”, a 03 de maio.

A sala do Senado deverá ser o último palco do projeto que ouviu e questionou alunos nas principais cidades universitárias do país.

As representações/audições já foram transformadas, por exemplo, numa proposta de financiamento para novas instalações da Escola Superior de Administração, Comunicação e Turismo em Mirandela.

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