Um ensaio da revolução

 

“Um ensaio da revolução”: era assim que Boal definia o Teatro do Oprimido. E na verdade, ele é sempre um ensaio. Primeiro porque não apresentamos um espectáculo acabado, mas um problema que cabe aos espect-actores resolver, uma história que nos cabe a todos decidir como vai continuar. Depois, porque é um ensaio das transformações que queremos, mas não basta fazê-las no espaço estético: há que transformar não só a cena, mas a própria realidade. É isso que muitas das pessoas que estiveram neste projecto têm feito. E que queremos continuar a fazer.

Em várias sessõe se ensaiaram formas de luta, mais locais ou mais globais, mais individuais ou mais colectivas. Desde pedir o livro de reclamações para fazer valer os seus direitos até promover uma greve, desde marcar uma reunião geral de alunos até algemar-se à secretária dos serviços de acção social, desde fazer ocupações desses serviços até confrontar directamente os professores sobre a sua solidariedade, desde promover petições até fazer protestos em frente à Reitoria, desde juntar colegas em torno de caos concretos até recolher os testemunhos todos e produzir visibilidade sobre o que se passa, foram muitas as acções que foram tomadas durante as sessões que tivemos. E foram momentos extraordinários de pensamento colectivo e de refelxão sobre o que fazer, mas sobretudo foram momentos entusiasmantes porque vimos, ainda que em cena, as coisas a acontecer.

Se é certo que, como dizia Boal, “estamos acostumados a peças em que as personagens fazem a revolução no palco, e os espectadores se sentem revolucionários triunfadores, sentados nas suas poltronas, e assim purgam seu ímpeto revolucionário”, neste caso “o ensaio estimula a praticar o acto na realidade”. Por isso decidimos na sessão final deste projecto devolver o convite à acção que temos feito durante os últimos meses. Discutimos as propostas e as mais importantes serão apresentadas no Parlamento. Mas depende de todos e todas que elas tenham força. Por isso decidimos fazer uma petição a partir das ideias mais votadas. Ela é promovida pela equipa dos Estudantes por Empréstimo, pelas pessoas que promoveram, em cada lugar, as sessões do projecto e pelas pessoas que têm feito connosco este caminho de luta estudantil. A petição vai circular pela net e em papel. É uma oportunidade para falarmos com outras pessoas e juntarmos forças em torno do que é preciso mudar. É, em si mesmo, uma forma de passar palavra e passar à acção. Outras acções surgirão – e depois deste projecto todos temos mais ideias sobre o que podemos fazer em cada escola e em cada cidade. Vamos a isso.

Uma resposta to “Um ensaio da revolução”

  1. Carlos Rocha Says:

    Muito bem Exmos. Senhores Ministros, em vez de estudarem a forma de combater os que fazem falcatruas com as declarações de rendimentos vão penalizar os que não tem forma de enganar o Estado.
    Porque quem as faz vai continar a faze-las e a roubar-nos a todos, vamos continuar a pagar para manter quem não se esforçam, e penalizar quem quer progredir na vida, mas não tem dinheiro, nem ajuda.

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