Mais de 11 mil alunos já recorreram a crédito para pagar estudos

Lusa, 11 de Julho de 2010

Mais de 11 mil estudantes universitários recorreram a empréstimos para ajudar a financiar os estudos nos últimos três anos. Não são apenas as famílias mais necessitadas que optam por este programa, usado maioritariamente para pagar propinas.

“Os empréstimos não estão a ser captados apenas por estudantes oriundos de classes baixas, com menos recursos escolares e económicos, mas, em termos gerais, por inquiridos com origens sociais diversificadas”, revela um estudo realizado no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES), do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), sobre a “Linha de Crédito para Estudantes do Ensino Superior com Garantia Mútua”.

“Há alunos oriundos de famílias com inserções profissionais mais remuneradas e qualificadas, mas também estudantes com pais e mães com baixos recursos escolares e económicos”, refere o estudo.

Se este programa não existisse, “o financiamento dos percursos (de alguns) estudantes pelo ensino superior poderia ficar comprometido”, alertam os investigadores.

Para as famílias de classe média baixa, o empréstimo pode ser visto como “um instrumento de apoio financeiro a aspirações de mobilidade social ascendente”, para os de classe média alta será um meio de “potenciar a autonomia pessoal e opções de estilo de vida”.

Dois em cada três empréstimos são concedidos a alunos que frequentam o ensino superior público, refere por seu turno o relatório da comissão de acompanhamento da “linha de crédito para estudantes do ensino superior com garantia mútua”.

De acordo com um estudo do CIES, “os estudantes declaram destinar os empréstimos principalmente ao pagamento de propinas (86,3 por cento)”.

O dinheiro serve ainda para cobrir despesas básicas do quotidiano como transportes (48,4 por cento), alimentação (46,7 por cento) e alojamento (39,6 por cento).

No total, o crédito contratado nos últimos três anos ultrapassa os 28 milhões de euros, o que corresponde a um valor médio por aluno de cerca de 11 500 euros.

De acordo com o programa de empréstimos, os estudantes terão de começar a pagar o crédito quando terminarem os cursos e entrarem no mercado de trabalho. No entanto, 12,2 por cento dos alunos inquiridos defendem a necessidade de prolongar o período de pagamento, alegando eventuais dificuldades de inserção profissional.

De acordo com o relatório da comissão de acompanhamento da “linha de crédito”, a 31 de dezembro do ano passado 11 108 alunos tinham já recorrido a este programa nos últimos três anos, quando foi criado, e as estimativas apontam para que em agosto os empréstimos possam chegar aos 11 500 estudantes.

Mas nem todos os créditos solicitados foram autorizados: nestes três anos 572 pedidos foram recusados.

Entre as razões para negar o apoio surgem 113 casos de estudantes que já tinham dívidas bancárias e histórias de alunos que frequentavam cursos ou estabelecimentos de ensino não elegíveis ou não qualificados como de ensino superior.

Houve ainda 21 contratos de empréstimo que foram anulados depois de os alunos reprovarem duas vezes, situação que determina a cessação de contrato.

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