Aumenta número de estudantes carenciados

06.10.2010 Acabra .Net
Por Filipa Magalhães e Gabriela Santos

Entre o aumento do prato social e a indefinição das técnicas de distribuição de bolsas, a atribuição de apoios de emergência e os pedidos de adiantamentos de bolsas são notórios.

Ao passo que as novas técnicas de atribuição de bolsas ainda estão por se saber, o administrador dos Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra (SASUC) Jorge Gouveia Monteiro, afirma que já “há vários sinais de que há um aumento do número de alunos carenciados”.

A agravar a situação está o aumento do prato social nas cantinas – de 2,15 euros para 2,40 euros que se traduz num aumento mensal de sete a 10 euros -, bem como o aumento da procura de alojamento em residências universitárias, que Gouveia Monteira explica pela “situação de carências de famílias e portanto, com o abandono de outras situações onerosas”.

A situação de um número considerável de estudantes nesta situação é preocupante. A responsável do gabinete de apoio aos estudantes (GAE) da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), Maria Rosário Pinheiro depara-se todos os anos com este tipo de casos. “Há alunos aqui que só fazem uma refeição por dia, são casos que vão acontecendo, nós vamos intercetando e ajudando”, revela.

No entanto, Rosário Pinheiro admite que “os apoios sociais da faculdade não são tão universais que cubram todas as pessoas carenciadas”. A responsável não esquece também os muitos estudantes que se veem obrigados a desviarem-se da sua rotina académica, indo em busca de emprego, muitas vezes sem contratos de trabalho e com horários impróprios para o bom desempenho estudantil, além de outras condições precárias.

A busca de auxílio nos núcleos
Os núcleos das faculdades são o primeiro recurso de ajuda que os alunos mais carenciados procuram. Para Maria do Rosário Pinheiro os núcleos “estão mais no terreno, conhecem as realidades das instituições, as dificuldades dos alunos”, visto que a eles cabe o reencaminhamento dos casos referidos para os SASUC.

Rui Santos, presidente do Núcleo da Estudantes de Medicina (NEM) declara não ter conhecimento algum de caso de alunos carenciados, ressalvando que caso algum contacto se estabelecesse os alunos seriam encaminhados “para as estruturas que existem dentro da própria Associação Académica de Coimbra (AAC) ou da própria universidade, como os SASUC”.

Já a Faculdade de Economia (FEUC) contará, no final deste mês, com uma provedoria destinada ao apoio ao estudante. “Vamos ter um horário de atendimento para problemas de qualquer tipo, tanto de bolsa, disciplinas ou como conseguir arranjar um quarto”, conta a coordenadora Patrícia Simões.

Tiago Martins, membro da Comissão Administrativa do Núcleo da Faculdade de Letras (NEFLUC) quando contactado recusou pronunciar-se sobre o assunto.

Uma das outras vias de apoio aos estudantes com maiores dificuldades faz-se através do Pelouro da Acção Social da direcção-geral da AAC. João Abrantes, coordenador desse pelouro, afirma ter conhecimento dos obstáculos que alguns alunos enfrentam ao longo do precurso académico. “Tentamos perceber qual a situação dos estudantes e ajudamos em função disso”, explica. Abrantes refere ainda que as principais queixas que recebe no seu gabinete são referentes a alojamento, a questões relacionadas com a refeição, além das bolsas e do valor das propinas.

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