Desempregados com “canudo” crescem mais do que com o básico

O Público
13 de Fevereiro de 2011

Serviços Sociais, Jornalismo e Ciências do Comportamento estão entre as áreas mais complicadas

Jovens com menos de 35 anos, uma maioria de mulheres, na maior parte dos casos à espera de colocação há menos de um ano. Em Junho de 2010 havia cerca de 43 mil diplomados inscritos no centro de emprego – mais 15 por cento do que um ano antes. E é este o seu retrato. Continuam a ser uma pequena fatia do universo dos que não têm trabalho (oito por cento). Mas o número de desempregados com um curso superior aumentou. E a um ritmo maior do que o registado no desemprego em geral, que subiu 12 por cento, segundo um relatório do Ministério da Ciência e Ensino Superior divulgado esta semana.


O levantamento, que tem como título A procura do emprego dos diplomados com habilitação superior, é feito semestralmente, desde 2008. Baseia-se nas inscrições dos candidatos a emprego, registadas pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional, e na informação fornecida anualmente pelas instituições de ensino. Mostra apenas uma parte da realidade do desemprego, já que, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), cujos cálculos são feitos com outra metodologia (com base nos inquéritos às famílias), o universo é bem maior. No terceiro trimestre de 2010, do total de 609 mil desempregados, 11,2 por cento tinham concluído um curso superior: eram 68,5 mil, segundo o INE, mais 6,5 por cento do que no ano anterior.

Regresse-se ao relatório do ministério. A sua mais-valia é a tentativa de identificar algumas áreas de formação em que o peso relativo dos inscritos nos centros de emprego é mais alto, por relação com os diplomados nessa área entre 2000 e 2010. Alguns resultados: quase dez por cento dos que se diplomaram, nesse período, em Serviços Sociais e nove por cento dos formados em Informação e Jornalismo estavam em Junho do ano passado à procura de trabalho.

A estas duas áreas seguem-se as das Ciências Sociais e do Comportamento (onde se incluem cursos como Psicologia e Relações Internacionais) e das Indústrias Transformadoras (onde se encontram várias engenharias).

Serviços de Segurança, Matemática e Estatística, Formação de Professores e Saúde são, no outro extremo, as áreas com menor peso.

A tutela lembra que há grandes di- ferenças entre cursos – alguns até podem ter “elevados níveis de procura de emprego” mas não estar nas áreas onde aparentemente há mais trabalho.

O documento, que aconselha “cautela” na análise quando esta inclui os inscritos à procura do primeiro emprego (e que correspondem a cerca de 30 por cento dos 43 mil retratados), mostra, por fim, que o aumento dos que recorrem aos centros de emprego com habilitação superior tem, desde Março, sido maior do que o registado no grupo dos desempregados com apenas o ensino básico. Números: os desempregados sem qualquer nível de instrução aumentaram 14,7 por cento, entre Junho de 2009 e Junho de 2010; os que têm apenas o 1.º ciclo, 7,1 por cento; os que têm o 2.º ciclo, 9,3 por cento; entre quem tem habilitações superiores o aumento atingiu os tais 15 por cento.

Joaquim Azevedo, especialista em Ciências da Educação, ex-secretário de Estado (1992-93), não estranha. “Onde o mercado de trabalho está a crescer e tem mais actividade de entra e sai, e portanto vai gerando ocupação, é nos empregos menos qualificados. São os serviços pessoais, os de segurança, por exemplo.”

É isto uma fatalidade? O investigador da Universidade Católica acha que não. É certo que ninguém disse a esta geração – “preparada num ambiente de euforia, no final dos anos 90, princípio dos anos 2000” – que lhe iria “cair na rifa um mundo muito diferente”, para além de uma crise que contribui para a contracção da economia e dos postos de trabalho. “A incerteza e a instabilidade vão con- tinuar.” Mas “há imensas possibilidades de criar trabalho”.

Daí a sua mensagem para esta alega- da “geração parva”: “Não são parvos. São os mais qualificados de sempre, têm a possibilidade de construir um paradigma diferente e o mundo inteiro para se expandir.” Pode dizer-se isso a um licenciado obrigado a trabalhar num call center para pagar as contas? Pode, assegura. “Párem para pensar, organizem-se, podem criar oportunidades de trabalho.” Ao Estado, têm que reclamar que es- sa iniciativa seja apoiada. Mas “os governos já não se substituem aos cidadãos”.

This entry was posted on Fevereiro 15, 2011 at 12:50 am and is filed under Notícias da Imprensa. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

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