Universidades europeias: mais alunos, menos dinheiro

iol.diário
21 de Fevereiro de 2011

A maioria dos responsáveis pelas universidades europeias teme uma redução no financiamento público devido à crise, segundo um relatório que alerta para a importância desse financiamento, noticia a Lusa.

Um estudo baseado na pesquisa e inquéritos feitos em mais de 150 universidades de 27 países europeus resultou no relatório «As universidades financeiramente sustentáveis II: universidades europeias diversificação das fontes de rendimento», divulgado esta segunda-feira.

O inquérito revela que a principal fonte de receitas das universidades continua a ser o financiamento público e que, apesar do gradual aumento de estudantes, tudo indica que haverá uma redução desse investimento.

Pelo menos é assim que pensa a maioria dos responsáveis pelo ensino: 53% acreditam que vai haver cortes no financiamento público, contra 30% que acham que este apoio deverá permanecer estável.

Outra das áreas que será afectada é a da investigação, mas aqui a visão dos responsáveis não é tão negra: 41% dos inquiridos consideram que os apoios permanecerão estáveis e apenas um terço (30%) teme que o financiamento seja reduzido.

Resultado: «quase metade» dos responsáveis espera encontrar fontes adicionais de financiamento, ou seja, recursos não-públicos para aumentar as suas receitas.

O relatório sobre sustentabilidade financeira realizado pela European University Association recomenda aos governos e às autoridades públicas que invistam no ensino superior e na «formação de liderança».

No documento pode ler-se que é preciso «atingir a meta de 3% do PIB de investimento no ensino superior» e que é primordial «investir no treino de liderança, desenvolvimento de líderes e gestores do ensino superior».

Aumentar a autonomia institucional, em especial nos aspectos financeiros, é outra das recomendações do relatório, que aponta como caminho possível a criação de parcerias com o sector privado. A recomendação surge após 61% dos inquiridos terem apontado «barreiras de regulamentação», como a falta de autonomia, para os impedir de explorar o potencial na diversificação de receitas.

Por isso, as recomendações do relatório não são apenas dirigidas ao poder político. Também os dirigentes universitários devem estar vocacionados para esta luta, conseguindo «incentivar as faculdades e pessoal para tomar parte activa na diversificação de rendimento» e «desenvolver a gestão profissional dos interessados».

Mas o estudo sublinha que a descoberta de outras fontes de financiamento nunca será suficiente para substituir o financiamento público: «O financiamento público é a mais importante fonte de rendimento para as universidades europeias, representando 73% dos orçamentos em média».

Neste momento, a maioria das universidades já está a receber pelo menos 10% do seu rendimento a partir de fontes adicionais (incluindo propinas).

O relatório refere que as contribuições financeiras dos estudantes através das propinas variam muito na Europa, mas, em média, 9% já contribuem para o rendimento da universidade.

Entre as «fontes mais relevantes adicionais» para financiar o ensino superior encontram-se os contratos de negócios (6,5%), financiamento filantrópico (4,5%), receita de serviços relacionados (4%) e financiamento público internacional (3%).

 

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