Como tudo começou…

Projecto Estudantes por Empréstimo I

Resumo

Estudantes por Empréstimo foi uma peça de teatro-fórum criada por um grupo de estudantes do ensino superior e conta uma história que é comum a milhares de jovens em Portugal. Esta peça percorreu as principais escolas do ensino superior no nosso país e desafiou os estudantes e quem quis participar a mudar o rumo à história, a propor outras formas de agir na situação representada e a pensarem e sugerirem as medidas políticas que podem ajudar a resolver os problemas que a peça apresenta. O Teatro Legislativo é uma forma de discutirmos a nossa vida e o que a limita e de usar o teatro para democratizar a política. Estudantes por Empréstimo sustenta o primeiro projecto de Teatro Legislativo em Portugal, que culminou numa audição na Assembleia da República, no dia 3 de Maio de 2010, promovida pelo Bloco de Esquerda, e onde algumas das sugestões do público foram transformadas em iniciativas legislativas.

Descrição do projecto

Estudantes por Empréstimo é um projecto de Teatro Legislativo que surgiu em Setembro de 2009, através de um grupo de estudantes universitários com a vontade comum de, através do teatro, discutir os seus problemas.

Em Agosto de 2009 reuniu-se um grupo de estudantes numa oficina de Teatro do Oprimido e fez-se o levantamento dos problemas que eram vividos por eles. Entre as várias histórias que surgiram então – os problemas com que se confrontam no seu dia-a-dia – contaram-se: a dificuldade no acesso às bolsas (a sua escassez e a burocracia do processo); as dificuldades de acção colectiva entre os estudantes; a dificuldade de conquistar a solidariedade dos professores, mesmo quando retoricamente se batem também pelo ensino público e pela escola democrática; as dificuldades associadas aos custos de frequência do ensino superior; as soluções de precariedade assistida e de trabalho não remunerado dadas pelas reitorias universitárias para “apoiar” os estudantes mais carenciados; a presença das instituições bancárias nas escolas de ensino superior e a perversão dos sistemas de empréstimos aos estudantes do ensino superior; as pressões decorrentes da aplicação do processo de Bolonha ao nível da reestruturação pedagógica; as questões do subfinanciamento, com os impactos concretos que têm sobre as condições nas faculdades e na vida dos estudantes. Montou-se uma peça com grande parte dos problemas apontados, tendo como tema central as bolsas de acção social. Divulgou-se o projecto pelas escolas e apresentara-se cerca de 30 sessões de teatro-fórum/teatro legislativo em várias localidades. Essas sessões foram um espaço de discussão, onde se ensaiaram formas de resolver a situação e se recolheram mais de 600 sugestões de mudança legislativa.

Terminado a digressão pelo país, um grupo de estudantes, deputados e juristas transformaram as ideias dos espect-actores em iniciativas legislativas – perguntas ao Governo, projectos de resolução, requerimentos e projectos de lei.

A 3 de Maio de 2010 realizou-se uma audição na Assembleia da República com a apresentação da peça de teatro-fórum e uma discussão sobre medidas práticas a tomar. Desta reunião na Sala do Senado, onde estiveram mais de 200 estudantes, surgiu a Petição para a Igualdade no Ensino Superior que, quando chegou às 5000 assinaturas, foi entregue no Parlamento, obrigando a uma audição parlamentar com alguns estudantes. Esta petição foi também discutida em Plenário, não tendo sido aprovados nenhuns dos seus pontos:

– Mudar o regime de atribuição de bolsas de acção social no Ensino Superior, alargando o universo de bolseiros através do aumento da capitação e da inclusão de estudantes imigrantes, simplificando o processo de candidatura (cruzando os dados do Estado), impondo um prazo máximo de resposta de um mês, e estabelecendo um modelo de cálculo linear que acabe com as injustiças dos escalões.

– Garantir o ensino como um direito constitucionalmente consagrado, acabando com a política de propinas que tem sido responsável pelo afastamento dos estudantes mais pobres do Ensino Superior.

– Acabar com o sigilo bancário, para que haja verdade fiscal, pondo fim às injustiças na atribuição de bolsas e permitindo ao Estado ter mais receita para financiar o Ensino Superior e a Acção Social.

Sinopse da peça anterior

A Ana acabou de entrar para o Ensino Superior. Precisa de bolsa para conseguir estudar, mas vai ser mais difícil do que pensava. Vendo a bolsa rejeitada, tenta fazer alguma coisa. Mas nem todos os colegas acham que valha a pena protestar, porque fica sempre tudo na mesma. Há professores que lhe fazem avisos sobre a sua impertinência. E a Reitoria apresenta-lhe soluções que não a convencem. Será que a única solução é contrair um empréstimo? Ou as coisas poderiam ser diferentes? Que obstáculos é que a Ana encontra? Que comportamentos e que leis ajudariam a que esta história tivesse um outro final? Se fosse possível mudar alguma coisa nesta história, o que mudarias?

Quem fomos?

Amarílis Felizes, Adriano Fontes, Catarina Príncipe, Diogo Silva, Irina Castro, Joana Cruz, João Mineiro, Jorge Cardoso, José Miranda, Luísa Morais, Marco Marques, Marta Calejo, Nuno Moniz, Ricardo Sá Ferreira, estudantes que construiram a peça e que a interpretam.

José Soeiro, curinga de Teatro do Oprimido, sociólogo, responsável pelo projecto e deputado do Bloco de Esquerda, membro da Comissão de Educação e Ciência.

Amarante Abramovici, cineasta, que fará o registo em vídeo deste processo.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: