Projecto Estudantes por Empréstimo

Estudantes por Empréstimo é um grupo de estudantes do ensino secundário e superior das cidades do Porto e Lisboa que utiliza o teatro-fórum para pensar os seus problemas. Este grupo contém alguns dos membros integrantes do projecto anterior e pretende dar continuidade ao projecto de teatro legislativo que iniciamos o ano passado. O tema central são as bolsas de acção social do Ensino Superior – problema acentuado com a entrada em vigor das novas regras para a sua atribuição.

Este método de discussão e acção surpreendeu escolas o ano passado – o teatro é aqui usado como uma arma, com a qual procuramos questionar os nossos problemas e tentar resolvê-los, pensar soluções possíveis e ensaiar a mudança para conseguirmos construir uma realidade diferente. A nova peça pretende percorrer escolas do ensino superior, e chegar também às do ensino secundário – aos anos finalistas -, onde os alunos também poderão vir a confrontar-se com este problema. O objectivo é desafiar os estudantes, e todos os que quiserem participar, a dar novas soluções para os problemas apresentados e sugerirem medidas políticas que poderiam ajudar a resolver os problemas que a peça apresenta.

O projecto, Estudantes por Empréstimo II, terminará numa audição na Assembleia da República, para o qual serão convidados outros grupos que usam igualmente este método para discutir os seus problemas. Esta sessão final será promovida pelo Bloco de Esquerda, e nela tentaremos transformar as sugestões do público em projectos de lei, e discutir aquelas que são mais urgentes e que maneira nós temos de forçar os governantes a cumpri-las.


ETAPAS

Depois do sucesso do projecto anterior, mais estudantes quiseram fazer parte da construção de uma nova peça de teatro-fórum, com os moldes da anterior, mas com problemas novos, trazidos por pessoas novas.

Em Novembro de 2010 fez-se um workshop aberto de Teatro e Acção Directa, no qual compareceram cerca de vinte pessoas, todas elas estudantes, com vontade de discutir os problemas do ensino superior nos quais vivem e que de alguma forma as constrange. Neste workshop viram-se vários vídeos de acções de protesto e o teatro-fórum foi apresentado como uma possível arma de acção pela defesa dos nossos direitos e foi proposto utilizá-lo. Foram feitos exercícios para se perceber que problemas os estudantes viviam em comum, surgindo temas como a dificuldade no acesso à bolsa de acção social – acentuados com as novas regras de atribuição de bolsas –, dificuldade no acesso ao mercado do trabalho – são exigidos cada vez mais diplomas e estágios, raramente remunerados –; desprezo e desvalorização pelo trabalho artístico; problemas de solidariedade entre os colegas da mesma faculdade; professores rígidos e com pouca capacidade de entender outras realidades; associações de estudante que se tornam mais um obstáculo para a luta estudantil; o assédio das instituições bancárias à entrada na faculdade e a “venda” incessante de empréstimos aos estudantes; o tempo comprimido para acabar o curso – o processo de Bolonha e a falta de tempo para aprofundar a própria área de estudos; etc.

Em Janeiro de 2011, com um grupo já formado e com vontade de dar tempo ao projecto foi escrito o guião, ensaiada a peça, recolhidas notas de imprensa sobre o assunto e agendadas várias sessões em escolas.

De Fevereiro a Maio ir-se-á percorrer escolas secundárias e do ensino superior em Portugal e será apresentado o projecto anterior em encontros internacionais – Paris e Madrid. Ao longo das sessões recolher-se-ão as sugestões de alteração legislativa que, com a ajuda de deputados e juristas, serão transformadas em iniciativas legislativas – perguntas ao Governo, projectos de resolução, requerimentos ou projectos de lei.

Em Maio será apresentada a sessão final na sala do Senado da Assembleia da República e será discutido a maneira de forçar as propostas recolhidas no debate nacional.


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